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Hoje é dezembro


Hoje é dezembro, primeiro,
o que tudo reduz
à questão essencial:

- será verdadeiro
que ainda é Jesus
o motivo do natal?



Gilberto de Almeida
01/12/2016

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Todo dia é natal


Quando eu morrer, uma parte imaginária de tudo isto
desvanecerá.
Com o corpo, perecerão 
todas as coisas efêmeras que fiz.

O que restar, em meio à aparente desolação,
nascerá das sementes de eternidade
que porventura
eu tiver plantado.

Quando eu morrer, 
no entanto, 
uma parte significativa de tudo isso
renascerá.
Porque, para o espírito, 
todo dia é natal!

Gilberto de Almeida
30/11/2016


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Eu, Alberto e os duendes de Papai Noel


Despertei bem cedo e olhei para o Alberto, que descansava sobre o criado mudo.

Ele estava literalmente verde. 

Para aqueles que conhecem o Alberto, sabem que essa não é, nem de longe, sua aparência habitual. Olhos claros, cabelos também claros (mas que, dependendo da iluminação, parecem acastanhados) e, sobretudo, uma testa muito branca, muito alva. Nada de verde.

Mas, em matéria de Alberto, nada me surpreende. Se ele estava verde, estava. Ponto. No entanto, não pude evitar de divagar, inspirado no matiz esmeraldino do facies de meu amigo. De relance, desviando um tanto do caminho, lembrei-me de Jennifer Connelly. Mas foram os duendes de Papai Noel quem tomaram posto nos celeiros de minha mente. Embora não sejam verdes (nem os duendes, nem minha mente). Foi do assim, aparentemente do nada, que perguntei:

- Alberto, você sabe a história dos duendes do Papai Noel?

E ele, com a mesma simplicidade (e idêntica profundidade) de quem pergunta "o que é o número trinta e quatro?", respondeu:

- Mas quem é Papai Noel?

Pensei um pouco. Pensei um pouco mais.
Decidi que o número trinta e quatro tanto existe quanto não existe. Que é um conceito. Que é abstrato. Mas não consegui avançar muito na questão do "Papai Noel".

Fiz uma receita de Ferrum metalicum para o Alberto e decidi tomar uma boa ducha!

Gilberto de Almeida
29/11/2016

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Pomar sobre a montanha


No natal eu penso 
na pobreza
bem-aventurada
do espírito.

No natal eu choro;
penso na mansuetude,
na fome e na sede
de justiça.

Imagino a misericórdia
em toda parte;
e os corações limpos
e pacificadores.

No natal eu penso
nos que são perseguidos
e nos que são injuriados;
penso nos discípulos de Jesus.

Chego a sentir o sabor
salgado da terra,
a vislumbrar a luz
na noite do mundo.

Penso nas leis de Deus,
escritas com gramática celeste
nas páginas eloquentes
do Infinito; 
penso que são imutáveis e justas,
generosas e boas,
misericordiosas e pacientes
e que nos conduzirão, 
inexoravelmente,
à eternidade.

E me entristeço pela justiça da Terra,
tão necessária,
mas tão pequena.

Penso nas mortes,
na ira e na cólera
e na reconciliação entre os inimigos.

Penso em quanto o egoísmo provoca
separação, adultério,
 escândalo
e em como é possível
evitar tudo isso.

Imagino a verdade pura
do sim
e do não
saindo de todas as bocas,
com simplicidade.

De repente penso em não resistir
ao mal que me queiram fazer;
em oferecer a outra face,
em dar a túnica e a capa,
em andar duas milhas,
em dar a quem me pede.

Imagino o epílogo dos problemas do mundo
quando todos formos capazes
de amar nossos inimigos,
de bendizer a quem nos maldiz,
de fazer o bem a quem nos odeia,
de orar pelos que nos perseguem e caluniam.

De repente eu penso que não basta
ser mais ou menos;
que há uma perfeição moral
que nos busca a todos;
e que todos devemos buscá-la.

É no natal que eu penso
em dar esmolas
em segredo;
em orar 
escondido,
sem palavras,
apenas com sentimentos,
no recinto íntimo
do coração.

Penso que tenho um Pai Criador
que está em toda Parte;
e cujo nome devo honrar
através da integridade
do meu proceder.

Imagino viver
em Sua casa.

Sinto Sua vontade soberana,
mas generosa,
manifestar-se 
em todas as dimensões.

Sinto-me protegido e alimentado.

Desejo perdoar, e sou perdoado.

Resguardo-me e sou amparado.

De repente, não há mal.
Sinto-me imerso num Reino
único,
poderoso
e glorioso.

No natal tenho um impulso íntimo
de perdoar
a tudo e a todos;
de jejuar;
de jejuar, com alegria,
das futilidades,
do desperdício de tempo,
dos pensamentos mesquinhos,
das palavras ferinas,
das atitudes infelizes.

Não penso em renda,
nem em dinheiro;
não penso na propriedade
transitória
sobre o que quer que seja.

Ao contrário,
sou posse
de um sentimento inexplicável
que vem do Alto,
onde deve estar
meu coração.

Meus olhos acendem luzes,
inesperadas,
de redenção.

No natal não importa
o que hei de comer
de beber
ou de vestir.
Não há os pássaros?
Não há os lírios?
Então por que me afligir?

No natal sou o que sou.
Nem mais alto,
nem mais baixo.

Sou de Deus.
Ele assim o determina.
Busco-o pois.
Não há inquietude.
O resto é o resto.

No natal já não julgo.
Também não sou julgado.

No natal, já não meço,
nem sou medido;
já ninguém tem defeito;
 não reparo.

Vejo um plano perfeito
de revelação
gradativa
da Verdade.

A cada um o que o alimenta,
a seu tempo.

Sinto a Fartura Infinita,
a bondade de Deus:
- aquele que pede, recebe;
- quem procura, encontra;
- as portas se abrem.

No natal vejo os homens,
generosos,
dando uns aos outros
o que gostariam de receber.

Penso nessa trilha
verdejante
e estreita
que conduz à Vida,
já trilhada,
já compartilhada
e que exito em percorrer.

Por que a exitação?
Qual o medo?
Não é esta a Boa Árvore?
A dos bons frutos?

Então, no natal, também desejo
ser árvore e dar frutos,
porque esta árvore que veio,
não foi planta ornamental;
não veio para ser paisagem,
mas veio, sim, ser pomar!

Gilberto de Almeida
28/11/2016

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Fácil, fácil


Gilberto de Almeida
27/11/2016

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Pisca-alerta

Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal
Natal

Fico hipnotizado com essas luzinhas que piscam!



Gilberto de Almeida
26/11/2016



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Falta um mês

Falta um mês para o noite da festa.
Falta um mês!

E haverá a ocasião da seresta -
cantoria e coisa e tal,
porque afinal de contas
as pessoas ficam tontas -
na noite de natal?

Falta um mês para o dia dos sinos.
Falta um mês!

E será que haverá pequeninos
correndo - que não faz mal
correrem esses moleques
como sacis serelepes -
no dia de natal?

Falta um mês para os anos do Cristo.
Falta um mês.

E será que haverá tudo isto
e o esquecimento fatal
da prece e da caridade -
que afinal a humanidade
nem bem sabe o que é o natal?

Gilberto de Almeida


25/11/2016

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Procurando o sonho...

Na imensidão do teu corpo anoitecido
tropeço na tua sombra e abraço-te
não sei se existes se te sonho...

Gostava de segredar-te as palavras que não ouso dizer-te
perder-me ,amando-te na nudez do teu corpo.
percorrendo a estrada do desejo procurando o sonho...

Manuel Marques (Arroz)

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Boa viagem


Virá o quinquagésimo quarto natal
desta vida.

Cinquenta e quatro gotas de esperança
na taça
do alheamento.

Cada uma delas,
a seu tempo,
teve seu matiz,
seu aroma,
seu sabor.

Sabor de curiosidade,
sabor de desejo,
sabor insípido,
sei lá...

Mas o que importa é que recentemente
cada gota deste cálice
parece lembrar que as outras
todas tinham gosto de amor.

Amor que veio escondidinho
na irreverência das festas,
na frivolidade prazerosa dos encontros,
nos excessos regados a dedicação,
em todas essas tolices
(agora são meigas tolices!)
que gotejaram na minha taça.

O que importa é que, agora,
essas gotas de esperança
(com gosto de amor)
já não mais parecem esperança;
elas têm a o matiz, o aroma e o sabor
de realidade.
Ou de quase realidade.
São mais expectativa que esperança.
É como se eu tivesse de posse do bilhete aéreo,
a aeronave já estacionada no portão de embarque
e já houvesse soado
a chamada para o embarque.

Agora é só aguardar.
O voo vai partir.
Tenho certeza disso.

Duas mil e dezesseis gotas no cálice da humanidade;
cinquenta e quatro no meu cálice
desta vida
e agora é certo.

O voo vai partir.
Sei disso.

Feliz natal!
Boa viagem!

Gilberto de Almeida
24/11/2016


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Abro o meu coração ao amor...

Durmo em sonhos cobertos de medo
de volúpia repletos do teu corpo
a minha solidão tem medo que a noite viva eternamente...

A minha boca se entreabre e se funde na tua
meus olhos beijam  o teu corpo na clandestinidade
reinvento o teu corpo...

Na tua ausência escuto o silêncio
falo de nós
do nós clandestino
abro o meu coração ao amor e quem se aloja nele és tu...

Manuel Marques (Arroz)

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Dona


Gilberto de Almeida
23/11/2016

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